O Fim de Uma Era: A Despedida dos Orelhões
O ano de 2028 marca o fim definitivo da presença dos orelhões nas ruas brasileiras, encerrando uma era de comunicação pública que marcou gerações. Símbolo de inúmeras histórias pessoais e coletivas, esses aparelhos, outrora onipresentes, preparam-se para desaparecer, transformando-se de ícones urbanos em meras lembranças de um passado não tão distante.
Por décadas, os orelhões foram pilares da conectividade, servindo como pontos de encontro, elos para notícias urgentes como nascimentos, ou cenários para inícios e fins de relacionamentos. Eles possibilitavam ligações locais, interurbanas e a cobrar, inicialmente operando com fichas para chamadas de três minutos, que foram posteriormente substituídas por cartões telefônicos a partir de 1992.
Contudo, a proliferação dos telefones celulares, especialmente a partir dos anos 2000, gradualmente ofuscou o brilho dos orelhões, relegando-os a um papel secundário e, por fim, ao esquecimento. A decisão final de sua retirada foi impulsionada pelo encerramento das concessões de serviço de telefonia fixa das empresas responsáveis pelos aparelhos, ocorrido no ano anterior à decisão de retirada.
A concretização dessa despedida já está em andamento. Em cidades como Sorocaba, que em 2020 contava com cerca de 300 orelhões, o número caiu para 188, e a maioria será desativada. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ressalta que apenas em localidades remotas, onde a cobertura de telefonia celular ainda é deficiente, os orelhões serão mantidos. Enquanto os mais velhos recordam com nostalgia o significado desses aparelhos em suas vidas, as novas gerações, por vezes, nem sequer reconhecem a função dessas estruturas coloridas, evidenciando a completa transição tecnológica.
A Genialidade por Trás do Design
A concepção icônica do orelhão é atribuída à arquiteta chinesa Chu Ming Silveira, que o projetou em 1971 enquanto trabalhava na Companhia Telefônica Brasileira (CTB). O formato distintivo do aparelho não era apenas estético; foi cuidadosamente elaborado para otimizar a acústica das chamadas e oferecer proteção contra intempéries como sol e chuva. Sua cor laranja vibrante, por sua vez, visava garantir máxima visibilidade. A inauguração oficial das primeiras cabines ocorreu em 1972, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e sua popularidade se manteve alta até o início do novo milênio.
Da Ficha ao Cartão: A Trajetória e Usos Históricos
No cenário da comunicação brasileira, o orelhão emergiu como um pilar fundamental, conectando pessoas e servindo a uma miríade de propósitos. Inicialmente, a viabilidade das chamadas dependia de um sistema pré-pago baseado em fichas telefônicas. Estas pequenas peças de metal representavam um crédito para ligações locais de aproximadamente três minutos, sendo um item essencial para qualquer pessoa que precisasse se comunicar fora de casa ou do trabalho.
A trajetória dos orelhões presenciou uma evolução significativa em seus métodos de pagamento. Em 1992, as tradicionais fichas telefônicas, que marcaram as primeiras décadas de uso dos aparelhos, começaram a ser progressivamente substituídas pelos cartões telefônicos. Essa transição modernizou o sistema de cobrança, oferecendo maior praticidade e segurança aos usuários, além de permitir o lançamento de edições colecionáveis que celebravam aspectos culturais e históricos, como a série de cartões de 1999 que homenageava cidades paulistas.
Além de seu papel primário como meio de comunicação, os orelhões desempenharam funções históricas diversas na vida dos brasileiros. Eram pontos cruciais para anúncios importantes, como o nascimento de um filho, e palcos de histórias pessoais, desde romances incipientes até despedidas. Sua versatilidade permitia a realização de ligações locais, interurbanas (DDD) e internacionais (DDI), bem como chamadas a cobrar, tornando-o acessível a todos. Frequentemente, os orelhões serviam também como pontos de encontro ou referências geográficas em centros urbanos.
A concepção do orelhão é um capítulo à parte em sua história. Criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, que trabalhava no Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira (CTB), o design icônico visava não apenas a estética, mas também a funcionalidade. Seu formato único foi pensado para otimizar a acústica das chamadas, minimizando ruídos externos, e para oferecer abrigo contra sol e chuva. A escolha da cor laranja vibrante tinha o propósito de garantir máxima visibilidade nas paisagens urbanas.
Oficialmente inaugurados em 1972, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, os orelhões rapidamente se popularizaram. Eles desfrutaram de grande procura e relevância até o início dos anos 2000, período que marcou o auge de sua utilização como ferramenta de comunicação pública antes do advento massivo da telefonia móvel iniciar seu gradual declínio.
O Declínio Inevitável: A Chegada dos Celulares e o Motivo da Retirada
A partir do início dos anos 2000, o cenário das telecomunicações no Brasil foi drasticamente alterado com a massificação da telefonia móvel. A chegada e rápida popularização dos telefones celulares proporcionaram aos usuários uma conveniência sem precedentes: a capacidade de realizar e receber chamadas a qualquer hora e em qualquer lugar, eliminando a dependência dos telefones públicos. Essa inovação tecnológica, aliada à crescente acessibilidade e personalização dos aparelhos móveis, tornou os orelhões progressivamente obsoletos, levando a uma drástica redução de seu uso e relevância na vida cotidiana.
O declínio do uso dos orelhões, impulsionado pela supremacia da telefonia móvel, culminou na decisão formal de sua retirada gradual e definitiva. O principal catalisador para essa medida é o encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa que eram responsáveis pela operação e manutenção desses aparelhos. Com o término desses contratos, as empresas operadoras não possuem mais a obrigação regulatória de manter a infraestrutura dos orelhões. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabeleceu que a remoção será concluída progressivamente até 2028, sendo mantidos apenas os orelhões em localidades específicas onde a cobertura de telefonia celular ainda é deficiente, garantindo um mínimo de acesso à comunicação em áreas mais remotas.
Design Icônico e Legado Cultural: A Criação de Chu Ming Silveira
A concepção do orelhão, um dos mais reconhecíveis símbolos do mobiliário urbano brasileiro, deve-se à arquiteta chinesa Chu Ming Silveira. Em 1971, enquanto atuava no Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira (CTB), Chu Ming desenvolveu o design que se tornaria sinônimo de telefonia pública no país. Sua visão combinava funcionalidade com uma estética distintiva, elementos cruciais para a aceitação e o impacto cultural da estrutura.
O design inovador do orelhão foi cuidadosamente pensado para otimizar a experiência do usuário. Seu formato peculiar, semelhante a um capacete ou concha, não era apenas estético; ele foi projetado especificamente para proporcionar melhor acústica durante as ligações, minimizando o ruído ambiente. Além disso, a estrutura visava oferecer abrigo eficaz contra intempéries, como sol e chuva. A escolha da cor laranja vibrante também foi estratégica, buscando conferir maior visibilidade ao equipamento nas paisagens urbanas e rurais.
Oficialmente inaugurado em 1972, primeiramente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, o orelhão rapidamente se integrou ao cotidiano brasileiro. Sua disponibilidade e design acessível garantiram uma boa procura pelos serviços de telefonia pública até o início dos anos 2000, solidificando seu status não apenas como um utilitário, mas como uma peça de design icônica que marcou uma era na comunicação do Brasil.
Os Últimos Orelhões: Cenário Atual e Onde Ainda Encontrá-los
Atualmente, os orelhões, outrora onipresentes na paisagem urbana brasileira, encontram-se em fase final de desativação. Com a ampla disseminação da telefonia móvel, esses aparelhos perderam sua relevância funcional e simbólica para a maioria da população. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão regulador, determinou a retirada definitiva da maior parte desses terminais até 2028, marcando o encerramento de uma era para o serviço de telefonia pública no Brasil.
A decisão pela remoção massiva decorre principalmente do término das concessões de serviço de telefonia fixa das empresas responsáveis pela manutenção dos orelhões. Essa transição é evidenciada pela drástica redução em sua presença; por exemplo, em cidades como Sorocaba, o número de aparelhos operacionais diminuiu de aproximadamente 300 em 2020 para 188 atualmente, com muitos deles destinados à desativação nos próximos anos.
Contudo, a Anatel ressalta que orelhões ainda serão mantidos em localidades mais remotas ou em áreas onde a cobertura da telefonia celular ainda é deficiente. Nestes locais específicos, eles continuam a desempenhar um papel crucial como ponto de comunicação essencial, garantindo o acesso a serviços básicos de voz para populações que, de outra forma, ficariam isoladas da rede de telecomunicações.
Em algumas cidades, é possível encontrar os últimos resquícios desses terminais em bairros específicos ou pontos de grande circulação. Por exemplo, em Sorocaba, ainda há registros de orelhões em funcionamento em bairros como Cajuru, Brigadeiro Tobias, Ana Paula Eleutério, Itinga 2 e Bom Jesus. Além disso, terminais de transporte público ainda podem abrigar algumas unidades funcionais ou estruturas de orelhões adaptados para pessoas com deficiência, embora seu uso seja cada vez mais pontual e seu estado de conservação possa variar consideravelmente.
Para Matar a Saudade: Como Usar um Orelhão nos Dias Atuais
Fonte: https://www.portalporque.com.br

